TAKEOVER

Todas as mudanças geram expectativas em se conhecer quais os seus impactos em nossa rotina.

Neste momento de retomada dos investimentos no setor de saneamento, teremos certamente, várias mudanças de operadores de água e esgoto em cidades que terão necessidade de substituir seu atual operador.

 A ideia deste meu texto é compartilhar minha vivência profissional em alguns processos de mudança.

 Conhecido como “takeover”, que em tradução livre significa “assumir o controle”, este período de transição, na maioria dos casos ocorre em um ambiente não amigável. A razão disto é decorrente de informações inverídicas divulgadas, junto à população, por formadores de opinião locais, que por alguma razão, não querem a mudança. Isto faz com que o imaginário da população seja invadido por uma expectativa repleta de maldades: desemprego, aumento de tarifas, piora na prestação de serviços de água e esgoto, etc…

 Outro detalhe que aumenta a tensão no “takeover” é a presunção indevida de que os velhos e crônicos problemas de abastecimento de água e coleta de esgoto, na cidade, serão resolvidos “em alguns dias”.

 À luz deste contexto, torna-se fundamental a elaboração de um planejamento específico para esta transição, cuja duração varia entre 100 e 180 dias, dependendo das características de cada cidade e da estratégia do operador.

 Vale notar que este prazo é contado a partir da data estabelecida no contrato, que deve mostrar claramente, em que momento a responsabilidade da operação passa a ser do novo concessionário. Certamente, entre a assinatura do contrato e o início do “takeover”, várias ações entre as partes são desenvolvidas e que não serão objeto de análise neste texto.

 Na elaboração do planejamento, devemos considerar quatro grupos:

 

  1. Recursos humanos

              Um mix de quatro perfis de pessoas, a saber:

I)                  Vindos da área técnica de outras concessões da operadora;

II)                 Vindos da holding e tendo participado da equipe que elaborou a proposta vencedora;

III)               Empresas terceirizadas para avaliar os processos  administrativos financeiros e apoiar a equipe da operadora na implementação de novos procedimentos;

IV)               Pessoal local, preferencialmente, com experiência no setor. Caso não seja possível, na sua integralidade, recomenda-se que esse pessoal seja qualificado.

 

  1. Pronto atendimento:

Definição de uma equipe multidisciplinar para estar full time dedicada ao atendimento imediato de demandas da população, sejam elas questões operacionais, comerciais ou simplesmente pedidos de esclarecimento.

 

  1. Aderência:

Acompanhamento da aderência dos índices, hipóteses adotadas na proposta vencedora à luz dos dados encontrados na realidade da operação.

 

  1. Licença Social:

Este grupo de trabalho é aquele que será responsável pela adoção de ações referentes à política sócio-ambiental . O termo “Licença Social’ deve ter uma sistemática proativa e não apenas impulsiva. Trata-se de um tema que não é novo, mas integra o conjunto de licenças legais necessárias para operar. A Licença Social não é um documento a ser emitido, mas o estabelecimento de uma ação de comunicação clara de direitos e responsabilidades entre a empresa que chega e a comunidade local.

 

Este meu texto pretendeu destacar alguns pontos importantes para que o takeover transcorra em um ambiente mais tranquilo, fazendo com que o futuro da operação seja mais interativo, verde e social.

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