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  • 28 de agosto de 2025
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O Brasil segue enfrentando um dos seus maiores gargalos em infraestrutura: o saneamento básico. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apenas 51,8% do esgoto coletado no país passa por tratamento adequado. O índice, embora ligeiramente superior ao registrado em 2019, ainda revela um atraso preocupante diante da meta de universalização prevista no marco legal do setor, que estabelece cobertura plena até 2033.

As disparidades regionais são evidentes. Enquanto estados do Sudeste e do Sul apresentam índices de tratamento acima da média nacional, as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores déficits, com cidades em que menos de 20% do esgoto gerado recebe tratamento adequado. Nessas áreas, além da dificuldade histórica de investimentos, pesam fatores como a dispersão populacional, baixa capacidade de arrecadação municipal e problemas de gestão contratual.

Estima-se que mais de 90 milhões de brasileiros ainda não tenham acesso a coleta e tratamento de esgoto, situação que impacta diretamente a saúde pública, com a persistência de doenças de veiculação hídrica, além de causar sérios danos ambientais, como a contaminação de rios, lagos e solos. O país despeja diariamente o equivalente a milhares de piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento em recursos naturais, comprometendo ecossistemas e a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Apesar do cenário, há sinais de avanço. Nos últimos anos, cresceu a presença de concessões privadas e parcerias público-privadas (PPPs), especialmente no Nordeste, que já atraiu bilhões em novos contratos. Estados como Alagoas e Ceará se tornaram referência na regionalização dos serviços, modelo que tem permitido viabilizar investimentos em municípios de pequeno porte. Ainda assim, especialistas alertam que, para cumprir a meta do marco legal, o Brasil precisa investir, em média, R$ 46 bilhões por ano em saneamento — um volume muito superior ao realizado atualmente.

O quadro deixa claro que o desafio vai além da expansão de redes: exige planejamento integrado, fortalecimento das agências reguladoras e maior fiscalização na execução de obras. Com o tempo se esgotando até 2033, a universalização do saneamento depende de um esforço coordenado entre União, estados, municípios e iniciativa privada, sob pena de o país seguir convivendo com um dos maiores déficits sociais e ambientais da sua infraestrutura.

 

Redação HYDRUS