
A Região Norte do Brasil, historicamente marcada pelos maiores déficits de cobertura em saneamento básico do país, começa a registrar avanços importantes em 2025. Com recursos provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e parcerias estaduais, municípios de Rondônia, Amazonas e Pará estão ampliando sua infraestrutura de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.
Um dos destaques é o estado de Rondônia, que já soma mais de R$ 574 milhões em investimentos em saneamento, com foco na universalização dos serviços. Na capital Porto Velho, o sistema integrado de água e esgoto passa por uma ampliação significativa: cerca de 70% das obras já foram concluídas, incluindo a instalação de redes, ligações domiciliares e unidades de tratamento.
Segundo a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), o projeto contempla mais de 20 mil novas ligações residenciais e visa atender cerca de 250 mil pessoas até 2026. Além da capital, cidades como Jaru, Ariquemes e Ji-Paraná também avançam em projetos de expansão de rede, com obras em andamento que incluem estações de tratamento, reservatórios e sistemas de distribuição.
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o saneamento é uma prioridade estratégica. “Estamos corrigindo uma dívida histórica com a população. Investir em água e esgoto é investir em saúde, dignidade e desenvolvimento. Os recursos que chegam do governo federal estão sendo aplicados com responsabilidade e foco nos resultados”, afirmou.
No interior do Amazonas, também há registros de expansão. Pequenos sistemas comunitários de abastecimento, alimentados por energia solar, estão sendo implantados em áreas ribeirinhas e comunidades quilombolas, como é o caso do Quilombo do Tambor, que recentemente recebeu um poço com bomba solar e sistema de distribuição adaptado à realidade local.
Essas iniciativas integram um esforço maior para reduzir as desigualdades regionais reveladas pelo Ranking do Saneamento 2025, do Instituto Trata Brasil, que apontou que 29 dos 50 piores municípios em cobertura estão na Amazônia Legal. O mesmo estudo mostrou que a média de atendimento com esgotamento sanitário na região Norte é inferior a 20%, muito abaixo da média nacional.
Apesar dos avanços, os desafios ainda são significativos. Muitos projetos enfrentam dificuldades relacionadas à logística, licenciamento ambiental, ocupações irregulares e limitações técnicas dos municípios. Ainda assim, especialistas consideram que os investimentos atuais representam um ponto de virada.
Com as obras em andamento e novas licitações previstas para o segundo semestre, a expectativa é que o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário alcance milhares de famílias na Região Norte até 2030 — prazo estendido para universalização nas regiões com maiores desafios estruturais.
Redação HYDRUS