Hydrus

  • 16 de setembro de 2025
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Depois das enchentes devastadoras que afetaram mais de 400 municípios no Rio Grande do Sul em 2024, o governo estadual lança mão de concessões, privatizações e parcerias público-privadas (PPPs) para acelerar a recuperação da infraestrutura e melhorar serviços públicos essenciais. Parte dessas iniciativas integra o Plano Rio Grande, anunciando um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 40 bilhões, dos quais cerca de R$ 20 bilhões serão aplicados via concessões e PPPs, segundo o secretário da Reconstrução, Pedro Capeluppi. Exame

Entre os projetos incluídos nesse plano estão a recuperação de rodovias danificadas, implantação de sistemas de proteção contra cheias, construção de habitações que suportem eventos climáticos extremos, aquisição de radares meteorológicos e obras de mobilidade urbana. A carteira rodoviária, por exemplo, contempla trechos fortemente afetados pelas inundações, como no Vale do Taquari, com previsão de investimentos de R$ 5,8 bilhões para cerca de 415 km de estradas entre Erechim e Venâncio Aires, passando por Passo Fundo, Muçum e Lajeado. Exame

No espectro das concessões maiores, destaca-se o Bloco 1 de rodovias da região metropolitana de Porto Alegre até o litoral norte do estado, com previsão de R$ 6,5 bilhões em investimentos e adoção de modelos mais modernos de cobrança, como o free flow (sem praças físicas de pedágio). Estes editais, ainda sob análise, podem sair já em outubro de 2025. Exame

O governo também busca alavancar benefício financeiro decorrente de medidas especiais com a União. O governador Eduardo Leite defendeu o uso de parte dos recursos que o Estado deixará de pagar em dívidas até 2027 para potencializar investimentos em resiliência climática por meio desses contratos de concessões e PPPs, de modo a distribuir o risco entre o poder público e o setor privado. VEJA

Especialistas ouvidos no RS avaliam que esse caminho é fundamental: além da velocidade para restaurar estradas, pontes, saneamento e edifícios públicos destruídos ou danificados, concessões bem desenhadas podem garantir mais eficiência, melhor manutenção e menor custo para o erário no médio prazo. Mas chamam atenção para desafios como definição clara de responsabilidades, regulação rigorosa, mitigação de riscos climáticos futuros e participação justa da população nos contratos. Com o Plano Rio Grande, o Rio Grande do Sul tenta transformar o trauma das enchentes em impulso de modernização — com infraestrutura mais resiliente, operações mais ágeis e parcerias que deem conta de ampliar acesso a serviços e proteger o estado de novos desastres.

 

Redação HYDRUS