O Instituto Trata Brasil divulgou o Ranking do Saneamento 2025, estudo anual que avalia os 100 maiores municípios brasileiros com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – ano-base 2023). A edição deste ano revela avanços importantes em algumas regiões do país, mas também evidencia a persistente desigualdade no acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto, principalmente nas cidades da Amazônia Legal.
De acordo com o levantamento, Campinas (SP) lidera a lista, seguida por Limeira (SP) e Niterói (RJ). Outras cidades como São José do Rio Preto (SP) e Franca (SP) completam o top 5, todas com cobertura de água superior a 95%, alto índice de coleta e tratamento de esgoto e baixos níveis de perda na distribuição. Entre os 20 primeiros colocados, nove estão no estado de São Paulo, reforçando o protagonismo da região Sudeste.
Por outro lado, o ranking revela um retrato preocupante no Norte e no Nordeste. 29 dos 50 municípios com pior desempenho estão na Amazônia Legal, incluindo capitais como Porto Velho (RO), Macapá (AP), Rio Branco (AC) e Belém (PA). Nessas cidades, o acesso ao esgoto tratado não chega a 20% da população, e os índices de perdas na distribuição ultrapassam 60%.
Segundo o estudo, a diferença no investimento per capita é um dos principais fatores da disparidade: enquanto os 20 melhores municípios investiram, em média, R$ 176,39 por habitante, os 20 piores investiram apenas R$ 78,40 — menos da metade do valor recomendado para garantir a universalização até 2033, como estabelece o marco legal do saneamento.
Outro dado relevante é a média nacional de cobertura: 93,9% da população tem acesso à água tratada, mas apenas 49,8% dispõe de coleta de esgoto, o que indica que o maior gargalo está no sistema de esgotamento sanitário. Além disso, a média de perdas na distribuição de água no Brasil é de 40,3%, quando o ideal, segundo parâmetros internacionais, seria até 25%.
O Instituto Trata Brasil reforça que, apesar dos avanços pontuais, ainda será necessário um grande esforço político, técnico e financeiro para cumprir as metas de universalização até 2033. “O saneamento básico é um direito fundamental e um dos principais determinantes da saúde pública. A desigualdade entre regiões brasileiras ainda é gritante e precisa ser enfrentada com prioridade”, destaca a entidade.
Municípios como Goiânia (GO) e Aparecida de Goiânia (GO) também se destacaram positivamente nesta edição, registrando índices superiores a 99% em abastecimento de água e coleta de esgoto, além de manterem perdas abaixo de 13%, o que os coloca entre os melhores desempenhos do país fora da região Sudeste.
O Ranking do Saneamento é uma importante ferramenta de transparência e incentivo à boa gestão dos serviços públicos, além de servir como referência para políticas públicas e decisões de investimentos no setor.
Redação HYDRUS