
As Parcerias Público-Privadas (PPPs) estão em plena expansão no Brasil e se consolidam como um dos principais motores de investimento em infraestrutura nos próximos anos. Um levantamento recente da consultoria Radar PPP aponta que o país deve movimentar R$ 372,3 bilhões em contratos de PPPs entre 2025 e 2029, o que representa um crescimento de 63% em relação ao ciclo anterior (2020–2024).
Os setores de saneamento básico e rodovias lideram a carteira de projetos previstos, com volumes estimados de R$ 143,5 bilhões e R$ 116,2 bilhões em investimentos, respectivamente. Também há forte expectativa de crescimento em áreas como iluminação pública, mobilidade urbana, resíduos sólidos e infraestrutura social.
O estudo mostra ainda que, só em 2024, foram firmados 204 contratos de concessões e PPPs no Brasil, somando R$ 77,3 bilhões em investimentos contratados. As rodovias foram o setor mais representativo, com R$ 26,8 bilhões, seguidas por projetos de saneamento, que movimentaram R$ 24,6 bilhões.
O bom desempenho das PPPs reflete o amadurecimento do ambiente institucional brasileiro. Segundo especialistas, o país desenvolveu uma base regulatória sólida, uma experiência acumulada em modelagem de projetos e um crescente interesse do setor privado, atraído por segurança jurídica, previsibilidade contratual e oportunidades de retorno de longo prazo.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o avanço das PPPs representa um alívio para os cofres públicos em um momento de limitações fiscais, ao mesmo tempo em que garante a execução de obras essenciais para a qualidade de vida da população. “O modelo permite que municípios, estados e a União compartilhem riscos e acelerem a entrega de infraestrutura de forma sustentável”, afirmou em nota.
Um exemplo de destaque é o setor de iluminação pública, que vem atraindo fundos especializados. O RBR Asset, por exemplo, já captou R$ 162 milhões para financiar projetos de modernização da rede pública com luminárias LED em mais de 200 mil pontos de iluminação. A expectativa do fundo é ampliar essa captação para R$ 600 milhões até 2026, usando a Cosip (Contribuição para Custeio da Iluminação Pública) como fonte de receita e explorando, futuramente, recursos de cidades inteligentes.
Com o novo ciclo de investimentos previsto, o Brasil se posiciona entre os países com maior número de PPPs em desenvolvimento no mundo. O desafio agora, segundo analistas, é manter a qualidade dos projetos, garantir transparência nas licitações e ampliar a capacitação técnica de estados e municípios, especialmente os de menor porte.
A perspectiva é otimista. Com a combinação de demanda reprimida por infraestrutura básica, interesse privado crescente e avanço dos marcos legais, as PPPs devem continuar sendo protagonistas no desenvolvimento urbano, ambiental e logístico do país nesta década.
Redação HYDRUS