Hydrus

  • 29 de julho de 2025
  • 0 Comments

O setor de infraestrutura no Brasil segue aquecido em 2025, mas com mudanças importantes na dinâmica dos investimentos. Dados do 13º Barômetro da Infraestrutura, publicado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) em parceria com a Ernst & Young, revelam que o interesse privado pelas concessões rodoviárias cresceu 10,4% em comparação ao ciclo anterior. Em contrapartida, a expectativa de investimentos em saneamento básico recuou 11,4%, refletindo um cenário de desafios operacionais e regulatórios nesse segmento.

De acordo com o estudo, o setor de rodovias permanece como o principal atrativo para o capital privado, impulsionado por leilões bem-sucedidos realizados na B3 no primeiro semestre de 2025 e pela expansão da carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Entre janeiro e junho, R$ 59,6 bilhões foram contratados apenas em rodovias, com mais de 4.400 km concedidos à iniciativa privada.

O desempenho positivo se deve à maturidade dos modelos de concessão, à previsibilidade contratual e ao apetite de investidores por projetos com retorno a longo prazo e baixo risco técnico. As concessões recentes contam com cláusulas de desempenho, metas de segurança viária, modernização tecnológica e uso crescente de ferramentas de cidades inteligentes, como iluminação LED, sensores e sistemas de controle de tráfego.

Em contraste, o setor de saneamento básico, que havia atraído grande atenção após a aprovação do novo marco legal em 2020, enfrenta uma fase de desaceleração. Segundo a ABDIB, fatores como instabilidade regulatória em alguns estados, judicialização de contratos, dificuldade de estruturação de blocos regionais e restrições de financiamento explicam a retração do interesse.

Apesar da desaceleração, o setor de saneamento ainda concentra investimentos relevantes, especialmente em estados como Pará e São Paulo, que têm avançado com blocos regionais estruturados e leilões previstos para o segundo semestre. Entretanto, o barômetro indica que a confiança do setor privado dependerá de ações claras para garantir segurança jurídica e viabilidade econômica dos projetos.

Além de rodovias e saneamento, o relatório também avalia o cenário para energia, mobilidade urbana, resíduos sólidos e portos. Embora não tenham registrado variações tão significativas, esses segmentos seguem no radar dos investidores, com destaque para projetos integrados, modelagens inovadoras e parcerias com consórcios municipais.

Para a ABDIB, o momento é decisivo para consolidar uma nova fase da infraestrutura nacional, com foco na qualidade dos serviços, planejamento de longo prazo e sustentabilidade. A entidade defende uma agenda permanente de melhoria do ambiente regulatório, fortalecimento das agências e ampliação dos instrumentos de financiamento, incluindo debêntures incentivadas e fundos garantidores.

Redação HYDRUS