Hydrus

  • 22 de junho de 2026
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A universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário até 2033 continua sendo um dos maiores desafios da infraestrutura brasileira.

Mesmo após a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento, em 2020, o setor ainda enfrenta obstáculos relacionados à capacidade de investimento, eficiência operacional, segurança regulatória e sustentabilidade financeira dos contratos.

Nesse contexto, as recentes modelagens adotadas pela Sabesp e pela Copasa trouxeram para o centro das discussões um conceito que vem ganhando força: o Parceiro de Referência.

Mais do que um modelo societário, trata-se de uma estratégia que busca combinar a experiência operacional do setor privado com a capacidade institucional das companhias estaduais, criando um ambiente favorável para ampliar investimentos e acelerar resultados.

O desafio da universalização

Segundo as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal, o Brasil deverá alcançar:

  • 99% da população atendida com água potável;
  • 90% da população atendida com coleta e tratamento de esgoto.

Embora os avanços sejam significativos em diversas regiões, o ritmo atual ainda exige volumes expressivos de investimentos e ganhos de eficiência operacional.

Estima-se que serão necessários centenas de bilhões de reais em investimentos até 2033 para que as metas sejam atingidas em todo o território nacional.

Nesse cenário, novos modelos de governança e financiamento passam a ser tão importantes quanto os próprios recursos financeiros.

O que é o Parceiro de Referência?

O Parceiro de Referência é um investidor estratégico que assume participação relevante na companhia, contribuindo não apenas com recursos financeiros, mas também com conhecimento técnico, gestão, governança corporativa e visão de longo prazo.

Na prática, esse modelo busca:

  • Fortalecer a governança corporativa;
  • Atrair investimentos privados;
  • Melhorar indicadores operacionais;
  • Aumentar a eficiência da gestão;
  • Garantir maior capacidade de execução dos planos de investimento.

A lógica é simples: unir a experiência acumulada das companhias estaduais à capacidade de gestão e investimento de operadores privados.

O caso SABESP

A modelagem da SABESP chamou atenção do mercado por criar uma estrutura capaz de atrair capital privado sem abrir mão de mecanismos de proteção ao interesse público.

A entrada de um Parceiro de Referência trouxe ao processo:

  • Compromisso de longo prazo;
  • Participação ativa na governança;
  • Apoio à execução dos investimentos previstos;
  • Credibilidade junto ao mercado financeiro.

O modelo foi desenhado com foco na ampliação da capacidade de investimento e na aceleração das metas de universalização dos serviços.

O movimento da COPASA

Em Minas Gerais, as discussões envolvendo a COPASA seguem uma lógica semelhante.

A busca por modelos que permitam ampliar investimentos sem comprometer a sustentabilidade financeira da companhia coloca novamente o Parceiro de Referência como alternativa relevante.

A experiência da SABESP passou a ser observada por diversos estados como uma possível referência para futuras transformações no setor.

Mais do que uma simples privatização ou venda de ativos, o debate passa a envolver mecanismos modernos de governança e geração de valor.

Um modelo que pode inspirar outros estados

O principal legado dessas iniciativas talvez não seja apenas a transformação das próprias companhias, mas a criação de referências para outras regiões do país.

Estados que enfrentam dificuldades para cumprir as metas de universalização podem encontrar nesse tipo de modelagem uma alternativa capaz de:

  • Atrair investimentos;
  • Preservar conhecimento técnico acumulado;
  • Melhorar indicadores operacionais;
  • Garantir maior segurança para investidores e financiadores.

O desafio não está apenas em captar recursos, mas em criar estruturas capazes de transformar investimentos em resultados efetivos para a população.

O fator que não pode ser esquecido: as pessoas

Independentemente do modelo escolhido, existe um elemento comum a qualquer estratégia de universalização: a qualificação das equipes.

Investimentos em infraestrutura só produzem resultados quando acompanhados por profissionais preparados para operar, manter e gerir sistemas cada vez mais complexos.

A chegada de novos investidores, novas tecnologias e novos modelos de governança exige uma transformação também na gestão do conhecimento.

Nesse aspecto, a capacitação técnica deixa de ser um complemento e passa a ser um fator estratégico para o sucesso dos projetos.

Conclusão

As modelagens observadas em SABESP e COPASA demonstram que o setor de saneamento está entrando em uma nova fase.

Mais do que discutir privatização ou gestão pública, o debate passa a envolver governança, eficiência, capacidade de investimento e geração de valor para a sociedade.

O conceito de Parceiro de Referência surge como uma alternativa relevante para estados e companhias que buscam acelerar investimentos e ampliar sua capacidade de entrega.

Se o Brasil pretende alcançar a universalização até 2033, será necessário combinar capital, gestão, tecnologia e capacitação profissional.

E é justamente nessa convergência que estão as maiores oportunidades para o futuro do saneamento brasileiro.