
A universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário até 2033 continua sendo um dos maiores desafios da infraestrutura brasileira.
Mesmo após a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento, em 2020, o setor ainda enfrenta obstáculos relacionados à capacidade de investimento, eficiência operacional, segurança regulatória e sustentabilidade financeira dos contratos.
Nesse contexto, as recentes modelagens adotadas pela Sabesp e pela Copasa trouxeram para o centro das discussões um conceito que vem ganhando força: o Parceiro de Referência.
Mais do que um modelo societário, trata-se de uma estratégia que busca combinar a experiência operacional do setor privado com a capacidade institucional das companhias estaduais, criando um ambiente favorável para ampliar investimentos e acelerar resultados.
O desafio da universalização
Segundo as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal, o Brasil deverá alcançar:
Embora os avanços sejam significativos em diversas regiões, o ritmo atual ainda exige volumes expressivos de investimentos e ganhos de eficiência operacional.
Estima-se que serão necessários centenas de bilhões de reais em investimentos até 2033 para que as metas sejam atingidas em todo o território nacional.
Nesse cenário, novos modelos de governança e financiamento passam a ser tão importantes quanto os próprios recursos financeiros.
O que é o Parceiro de Referência?
O Parceiro de Referência é um investidor estratégico que assume participação relevante na companhia, contribuindo não apenas com recursos financeiros, mas também com conhecimento técnico, gestão, governança corporativa e visão de longo prazo.
Na prática, esse modelo busca:
A lógica é simples: unir a experiência acumulada das companhias estaduais à capacidade de gestão e investimento de operadores privados.
O caso SABESP
A modelagem da SABESP chamou atenção do mercado por criar uma estrutura capaz de atrair capital privado sem abrir mão de mecanismos de proteção ao interesse público.
A entrada de um Parceiro de Referência trouxe ao processo:
O modelo foi desenhado com foco na ampliação da capacidade de investimento e na aceleração das metas de universalização dos serviços.
O movimento da COPASA
Em Minas Gerais, as discussões envolvendo a COPASA seguem uma lógica semelhante.
A busca por modelos que permitam ampliar investimentos sem comprometer a sustentabilidade financeira da companhia coloca novamente o Parceiro de Referência como alternativa relevante.
A experiência da SABESP passou a ser observada por diversos estados como uma possível referência para futuras transformações no setor.
Mais do que uma simples privatização ou venda de ativos, o debate passa a envolver mecanismos modernos de governança e geração de valor.
Um modelo que pode inspirar outros estados
O principal legado dessas iniciativas talvez não seja apenas a transformação das próprias companhias, mas a criação de referências para outras regiões do país.
Estados que enfrentam dificuldades para cumprir as metas de universalização podem encontrar nesse tipo de modelagem uma alternativa capaz de:
O desafio não está apenas em captar recursos, mas em criar estruturas capazes de transformar investimentos em resultados efetivos para a população.
O fator que não pode ser esquecido: as pessoas
Independentemente do modelo escolhido, existe um elemento comum a qualquer estratégia de universalização: a qualificação das equipes.
Investimentos em infraestrutura só produzem resultados quando acompanhados por profissionais preparados para operar, manter e gerir sistemas cada vez mais complexos.
A chegada de novos investidores, novas tecnologias e novos modelos de governança exige uma transformação também na gestão do conhecimento.
Nesse aspecto, a capacitação técnica deixa de ser um complemento e passa a ser um fator estratégico para o sucesso dos projetos.
Conclusão
As modelagens observadas em SABESP e COPASA demonstram que o setor de saneamento está entrando em uma nova fase.
Mais do que discutir privatização ou gestão pública, o debate passa a envolver governança, eficiência, capacidade de investimento e geração de valor para a sociedade.
O conceito de Parceiro de Referência surge como uma alternativa relevante para estados e companhias que buscam acelerar investimentos e ampliar sua capacidade de entrega.
Se o Brasil pretende alcançar a universalização até 2033, será necessário combinar capital, gestão, tecnologia e capacitação profissional.
E é justamente nessa convergência que estão as maiores oportunidades para o futuro do saneamento brasileiro.