
Com o objetivo de acelerar obras estratégicas e destravar gargalos estruturais no país, o governo federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram nesta semana duas medidas que devem fortalecer o setor de infraestrutura em 2025. De um lado, um novo decreto flexibiliza regras para a transferência e operação de créditos em projetos de infraestrutura hídrica; de outro, o BNDES projeta destinar até R$ 80 bilhões em financiamentos voltados a obras nas áreas de transporte, energia, saneamento e mobilidade urbana.
A flexibilização, publicada no Diário Oficial da União, permitirá maior agilidade na tramitação de recursos voltados para obras de abastecimento de água, reservatórios e canais, sobretudo em regiões afetadas por estiagens e com baixa cobertura de saneamento. A medida também visa melhorar a execução dos investimentos federais, ampliando a capacidade de estados e municípios em captar e aplicar recursos.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a mudança normativa é estratégica para garantir que grandes projetos, muitos deles paralisados por entraves burocráticos, possam sair do papel com maior rapidez. A expectativa é que a nova regra reduza prazos de execução e estimule novos empreendimentos, principalmente no semiárido nordestino, onde o déficit hídrico é mais severo.
Paralelamente, o BNDES anunciou que deverá liberar cerca de R$ 80 bilhões em crédito para obras de infraestrutura ao longo de 2025. A projeção, que representa um aumento expressivo em relação aos anos anteriores, contempla investimentos prioritários em rodovias, geração e transmissão de energia, projetos de saneamento básico e modernização de sistemas urbanos.
Segundo a instituição, a ampliação da carteira de infraestrutura está alinhada ao Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e busca alavancar investimentos privados por meio de parcerias público-privadas e concessões. O banco também pretende reforçar sua atuação em projetos que tenham impacto social relevante e estejam ligados a metas de desenvolvimento sustentável.
A sinergia entre as medidas anunciadas indica uma tentativa coordenada do governo de dar um novo ritmo à infraestrutura nacional, após anos de retração e lentidão em grandes obras. Para analistas do setor, a flexibilização das regras somada à disponibilidade de crédito pode impulsionar significativamente projetos estruturantes, sobretudo em áreas historicamente negligenciadas como saneamento e segurança hídrica.
Especialistas também apontam que, para além do volume de recursos, será fundamental garantir eficiência na gestão dos projetos, transparência nos contratos e capacidade técnica nos entes executores. “O investimento em infraestrutura não pode ser visto apenas como obra. É política pública com impacto direto na qualidade de vida da população e no desenvolvimento econômico”, avalia a economista e consultora de políticas públicas, Marina Leite.
Com o cenário de juros ainda altos e orçamento público limitado, o fortalecimento da parceria entre governo e BNDES aparece como um dos principais caminhos para viabilizar o avanço das obras e garantir maior previsibilidade ao setor de infraestrutura — um dos pilares para o crescimento sustentável do país.
Redação HYDRUS