Hydrus

  • 23 de setembro de 2025
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Os fundos de infraestrutura, que em 2024 desfrutaram de uma captação recorde, têm enfrentado uma desaceleração marcante em 2025. Dados da Anbima revelam que, embora em 2024 o mercado tenha captado R$ 64,5 bilhões líquidos no primeiro semestre e mais R$ 46 bilhões no segundo, os números deste ano apontam para fluxos muito menores: R$ 21,8 bilhões captados entre janeiro e junho e uma prévia de R$ 20,8 bilhões até agosto.

O principal fator por trás desse esfriamento é a mudança tributária introduzida por uma Medida Provisória, que impôs alíquota de 5% de Imposto de Renda sobre debêntures incentivadas — títulos que antes eram isentos para estimular investimentos privados em infraestrutura. Esse segmento representava cerca de 80% dos investimentos do setor em 2024, e sua importância fica evidente diante dos números históricos de mobilização de recursos: R$ 135 bilhões movimentados no setor naquele ano.

Gestores de fundos apontam que, embora a nova regra não tenha extinto o interesse pelos ativos, ela tornou os investidores muito mais criteriosos. Portfolios e novas emissões estão sendo repensados, priorizando projetos com retornos mais claros e menor risco regulatório. A seletividade voltou a ganhar espaço.

Ainda assim, apesar da queda, há sinais que algumas carteiras conseguem se manter positivas no fluxo líquido. Em julho, por exemplo, os fundos de infraestrutura registraram captação líquida positiva de R$ 1,9 bilhão até o dia 18. Contudo, esse valor está longe dos níveis registrados no ano passado e evidencia a resistência do setor, mas também as limitações impostas pelas mudanças tributárias e pelo cenário macroeconômico de juros elevados e incertezas regulatórias.

Redação HYDRUS