Pular para o conteúdo principal

Hydrus

  • 13 de agosto de 2026
  • 0 Comments

O saneamento é uma atividade essencial para a sociedade, mas também uma das mais intensivas em consumo de energia elétrica dentro do setor de infraestrutura.

Captação, bombeamento, tratamento de água, coleta de esgoto, estações elevatórias e tratamento de efluentes exigem operação contínua, muitas vezes 24 horas por dia.

Em diversas concessionárias brasileiras, a energia elétrica já figura entre os principais componentes do custo operacional (OPEX), ficando atrás apenas de despesas com pessoal e alguns insumos químicos.

Diante desse cenário, cresce uma pergunta estratégica:

Como reduzir o custo da energia sem comprometer a qualidade e a segurança operacional dos sistemas?

A resposta pode estar justamente na adoção de fontes alternativas de energia.

Energia: um dos maiores custos do saneamento

Uma estação de tratamento de água ou esgoto não pode simplesmente ser desligada quando a tarifa de energia aumenta.

A operação precisa continuar.

Isso faz com que as concessionárias estejam altamente expostas às oscilações do mercado energético.

Entre os principais consumidores de energia estão:

  • Sistemas de captação;
  • Estações elevatórias;
  • Adutoras;
  • Sistemas de bombeamento;
  • Estações de tratamento de água (ETA);
  • Estações de tratamento de esgoto (ETE).

Por isso, qualquer redução no consumo ou no custo da energia produz impacto direto nos resultados financeiros da operação.

Energia solar: a porta de entrada mais acessível

Entre as alternativas disponíveis atualmente, a energia solar fotovoltaica é provavelmente a mais difundida no setor.

As vantagens incluem:

  • Tecnologia consolidada;
  • Redução da dependência da rede convencional;
  • Baixa necessidade de manutenção;
  • Previsibilidade de custos;
  • Vida útil superior a 20 anos.

Muitas concessionárias já utilizam usinas próprias ou participações em projetos de geração distribuída para compensação de consumo energético.

Áreas disponíveis em ETAs, ETEs, reservatórios e terrenos operacionais tornam-se locais naturalmente adequados para instalação dos sistemas.

Biogás: transformando resíduos em energia

Talvez uma das oportunidades mais promissoras do saneamento esteja dentro das próprias estações de tratamento.

O tratamento de esgoto e a gestão de resíduos orgânicos geram biogás, rico em metano.

Quando adequadamente captado e tratado, esse biogás pode ser utilizado para:

  • Geração de energia elétrica;
  • Produção de calor;
  • Alimentação de geradores;
  • Produção de biometano.

O conceito de economia circular ganha força justamente nesse contexto.

O que antes era considerado apenas um subproduto do tratamento passa a se transformar em ativo energético.

Pequenas Centrais Hidrelétricas e recuperação energética

Em alguns sistemas de abastecimento, especialmente aqueles que operam com grandes desníveis topográficos, existe potencial para aproveitamento hidráulico.

A utilização de microturbinas e sistemas de recuperação de energia permite transformar parte da pressão existente nas redes em geração elétrica.

Embora seja uma aplicação mais específica, representa uma oportunidade interessante para determinados sistemas.

O papel do mercado livre de energia

Nem toda redução de custos exige a construção de ativos próprios.

Muitas concessionárias já vêm migrando para o Mercado Livre de Energia.

Nesse modelo, a empresa pode negociar diretamente com geradores e comercializadores, buscando condições mais vantajosas de fornecimento.

Os benefícios incluem:

  • Redução de custos;
  • Contratos personalizados;
  • Maior previsibilidade orçamentária;
  • Possibilidade de aquisição de energia renovável.

Em muitos casos, a economia obtida já justifica o esforço de migração.

Eficiência energética continua sendo prioridade

Antes mesmo da geração própria, existe um enorme potencial de redução de custos através da eficiência operacional.

Muitas concessionárias ainda possuem oportunidades significativas em:

  • Modernização de bombas;
  • Automação operacional;
  • Controle de pressão;
  • Redução de perdas de água;
  • Sistemas inteligentes de operação;
  • Telegestão e monitoramento remoto.

A energia mais barata continua sendo aquela que não precisa ser consumida.

O desafio da implementação

Apesar dos benefícios, a adoção de fontes alternativas exige planejamento.

É necessário avaliar:

  • Viabilidade técnica;
  • Viabilidade econômica;
  • Tempo de retorno do investimento;
  • Integração com a operação existente;
  • Aspectos regulatórios;
  • Necessidade de qualificação das equipes.

Cada sistema possui características próprias e demanda soluções específicas.

Não existe uma única resposta para todas as concessionárias.

E onde entra a capacitação?

A transição energética também representa uma transformação operacional.

Novas fontes de energia exigem profissionais capazes de:

  • Operar sistemas de geração;
  • Monitorar desempenho;
  • Gerenciar ativos energéticos;
  • Integrar tecnologia à operação do saneamento;
  • Avaliar indicadores de eficiência.

Assim como ocorre com a digitalização, o sucesso dos projetos energéticos depende diretamente da preparação das equipes.

Conclusão

A redução do OPEX tornou-se uma das principais prioridades das concessionárias de saneamento.

Nesse contexto, as fontes alternativas de energia deixam de ser apenas uma iniciativa ambiental e passam a representar uma estratégia de negócio.

Energia solar, biogás, recuperação energética, mercado livre e eficiência operacional formam um conjunto de soluções capazes de aumentar a competitividade das operações e liberar recursos para novos investimentos.

Em um setor pressionado pelas metas de universalização até 2033, cada ganho de eficiência conta.

E a energia pode deixar de ser apenas um custo para se tornar uma importante aliada da sustentabilidade financeira das concessões.