Hydrus

  • 29 de maio de 2025
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Um estudo recente divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apontou que o Nordeste brasileiro precisará de aproximadamente R$ 274 bilhões em investimentos para alcançar a universalização dos serviços de saneamento básico até 2033, conforme previsto pelo novo marco legal do setor.

O levantamento revelou que a região ainda enfrenta sérios gargalos estruturais no acesso à água tratada e, principalmente, na coleta e tratamento de esgoto. Atualmente, apenas 34,3% do esgoto gerado no Nordeste é efetivamente tratado. A cobertura da rede de esgoto também permanece limitada: pouco mais de um terço dos domicílios nordestinos está conectado ao sistema de coleta.

Os dados reforçam o abismo entre as regiões brasileiras em termos de infraestrutura sanitária. Enquanto estados do Sudeste e do Sul apresentam índices mais avançados, o Nordeste segue com um dos piores desempenhos, refletindo desigualdades históricas na destinação de recursos públicos e na capacidade de execução de obras estruturantes.

De acordo com o BNDES, o valor estimado contempla não apenas obras de infraestrutura, como ampliação de redes, construção de estações de tratamento e modernização de sistemas, mas também ações de fortalecimento institucional, planejamento regional e apoio técnico aos municípios. O objetivo é garantir que os investimentos se transformem em serviços contínuos e de qualidade para a população.

O banco também destacou que, para atingir essa meta, será necessário ampliar os mecanismos de financiamento, promover parcerias público-privadas e estimular a regionalização dos serviços — modelo que tem sido adotado em diversos estados para tornar a gestão mais eficiente e atrativa a operadores privados.

Especialistas ouvidos pelo estudo alertam que, sem um esforço coordenado entre União, estados, municípios e setor privado, as metas do marco legal dificilmente serão alcançadas. A falta de saneamento adequado impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico regional. Além disso, regiões sem coleta e tratamento de esgoto tendem a registrar maiores índices de doenças de veiculação hídrica, como diarreias e infecções intestinais.

A universalização do saneamento é considerada uma das principais medidas de justiça social e combate à desigualdade. O investimento estimado, embora elevado, é visto por especialistas como necessário e viável, desde que haja planejamento de longo prazo, estabilidade regulatória e compromisso político.

O estudo do BNDES será utilizado como base para orientar ações estratégicas no âmbito federal e para estruturar novos projetos de concessão e parcerias na região. A expectativa é que, com a mobilização de recursos e articulação entre os entes federativos, o Nordeste consiga avançar de forma significativa na próxima década.

Redação HYDRUS