
Um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil revelou um cenário preocupante para o futuro do abastecimento de água no país. Segundo o levantamento, se o ritmo atual de investimentos e de gestão dos recursos hídricos não for ampliado, o Brasil poderá enfrentar uma média de 12 dias de interrupção total no fornecimento de água por ano até 2050. Em regiões mais secas e com infraestrutura precária, como partes do Nordeste e do Centro-Oeste, o período de racionamento pode chegar a até 30 dias anuais.
O relatório, elaborado com base em dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do IBGE e do Ministério das Cidades, aponta que a falta de planejamento, as perdas nas redes de distribuição e o desperdício de recursos hídricos são os principais fatores que ameaçam a segurança hídrica do país nas próximas décadas. Atualmente, o índice médio de perda de água potável no sistema de distribuição é de 37%, chegando a ultrapassar 60% em alguns municípios, o que significa que boa parte da água tratada não chega efetivamente às residências.
De acordo com o Trata Brasil, o déficit de investimento em saneamento básico agrava a situação. Embora o Marco Legal do Saneamento tenha estabelecido metas ambiciosas — como universalizar o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário até 2033 —, muitos estados e municípios ainda enfrentam dificuldades para cumprir o cronograma. Além da falta de recursos, o estudo destaca a carência de governança e gestão técnica como um obstáculo para o avanço dos projetos.
O documento também alerta para os impactos da mudança climática, que vem alterando os regimes de chuva e aumentando a pressão sobre mananciais e reservatórios. O fenômeno das estiagens prolongadas, já observado em diferentes regiões do país, tende a se tornar mais frequente, exigindo medidas urgentes de adaptação e uso racional da água.
Para o Instituto, é fundamental que o Brasil adote uma estratégia nacional de segurança hídrica que envolva integração entre políticas públicas, investimentos sustentáveis e educação ambiental. O relatório propõe ações como o combate efetivo às perdas, o estímulo ao reúso da água, a ampliação de reservatórios e a modernização das estações de tratamento.
Especialistas ouvidos pelo estudo afirmam que, sem um esforço conjunto de governos, empresas e sociedade civil, o país poderá enfrentar uma crise de abastecimento sem precedentes nas próximas décadas. A universalização do saneamento, defendida como prioridade, é vista não apenas como uma questão de saúde pública, mas também como um pilar essencial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Redação HYDRUS