Hydrus

  • 26 de agosto de 2025
  • 0 Comments

 

Apesar de avanços pontuais, o Brasil segue enfrentando um desafio estrutural no saneamento básico. Dados recentes da Pnad Contínua (2024) revelam que quase 30% dos lares brasileiros não têm esgoto conectado à rede geral, o que equivale a mais de 22 milhões de residências. O problema é mais grave nas regiões Norte e Nordeste, onde a cobertura é bastante desigual e milhões de pessoas seguem expostas a doenças e condições precárias de moradia.

Para enfrentar esse cenário, alguns estados têm apostado fortemente em parcerias público-privadas (PPPs) e concessões. O Rio Grande do Sul, por exemplo, anunciou um plano de R$ 7 bilhões para levar saneamento a 183 municípios que não são atendidos pela Corsan, empresa estadual que passou por processo de privatização. A meta é atender mais de 3 milhões de habitantes e, segundo o governo gaúcho, dar um passo decisivo rumo à universalização dos serviços até 2033, como prevê o marco legal do setor.

No Nordeste, a expansão da participação privada tem sido ainda mais acelerada. Levantamento divulgado em agosto mostra que o saneamento privado disparou 425% na região, alcançando 432 municípios. Esse movimento representa investimentos de R$ 27,9 bilhões em concessões e PPPs até 2026, consolidando o setor privado como protagonista na melhoria da infraestrutura de água e esgoto em estados como Bahia, Pernambuco e Ceará.

Especialistas destacam que, embora a presença da iniciativa privada tenha acelerado a expansão em algumas regiões, os números nacionais mostram que o Brasil ainda está distante da meta de universalização. “Os dados evidenciam uma contradição: enquanto o setor privado cresce rapidamente em algumas áreas, a cobertura nacional ainda é insuficiente e desigual. O desafio é garantir que a regulação e os investimentos alcancem os municípios mais vulneráveis”, avalia um consultor do setor.

A combinação de PPPs estaduais robustas, crescimento do setor privado no Nordeste e pressão regulatória nacional pode ser determinante para reduzir o atraso histórico do Brasil em saneamento. Ainda assim, especialistas alertam que, para atingir a universalização até 2033, será necessário investir em média R$ 46 bilhões por ano — valor bem acima da média atual.

 

Redação HYDRUS