
Em mais uma mostra da projeção internacional das empresas brasileiras do setor elétrico, o BNDES aprovou um financiamento de US$ 71,4 milhões para a Alupar investir em infraestrutura energética no Chile. O recurso será aplicado em duas importantes subestações — Ana María e Illapa — localizadas nas províncias de Antofagasta e Atacama, regiões estratégicas do país vizinho no contexto da expansão energética sul-americana.
O contrato prevê que os equipamentos necessários para as obras sejam fabricados no Brasil, pela empresa WEG, fortalecendo a cadeia de valor nacional. O prazo de operação acordado é de 25 anos, o que indica compromisso mútuo entre ambos os países e instituições com estabilidade regulatória de longo prazo.
Esse tipo de financiamento internacional reitera a relevância do BNDES não apenas como instrumento de política doméstica, mas também como agente de fomento global para empresas brasileiras. A Alupar, por sua vez, amplia sua atuação fora do país, reforçando seu portfólio de ativos internacionais, sobretudo em mercados latino-americanos com demanda crescente por capacidade energética.
Para o Chile, as subestações Ana María e Illapa vão operar como pontos nodais no sistema elétrico local, contribuindo para melhorar a confiabilidade do fornecimento, reduzir perdas técnicas e facilitar o ingresso de fontes renováveis e cargas industriais intensivas. Regiões como Antofagasta e Atacama concentram mineração, indústria e exportação, setores que dependem fortemente de energia estável.
Especialistas ressaltam que o negócio traz benefícios duplos. Para o Brasil, cria demanda para indústria nacional de equipamentos, gera emprego e eleva receita cambial. Para o Chile, representa avanço em capacidade tecnológica e energética, alinhando-se às metas de transição energética regional.
Ainda assim, o projeto depende de que os trâmites regulatórios sejam cumpridos, incluindo licenças ambientais e autorizações locais, bem como de que as subestações entreguem eficiência operacional e sejam integradas ao sistema com segurança. O sucesso desses empreendimentos poderá dar impulso a novos investimentos transfronteiriços do setor energético nos próximos anos.
Redação HYDRUS