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Hydrus

  • 5 de agosto de 2026
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A busca pela universalização dos serviços de água e esgoto até 2033 tem levado estados e municípios a avaliarem diferentes caminhos para ampliar investimentos e acelerar a expansão da infraestrutura.

Concessões, PPPs, regionalizações e modelos híbridos passaram a fazer parte da estratégia de diversos governos.

Entre os casos mais relevantes dos últimos anos está o processo de privatização da Corsan, concluído em 2022 e posteriormente consolidado com a entrada da Aegea Saneamento no controle da companhia.

O caso despertou atenção nacional por representar uma das maiores operações societárias já realizadas no setor de saneamento brasileiro.

Mas a pergunta que permanece é:

O modelo adotado pela CORSAN pode ser considerado uma alternativa viável para outros estados na corrida pela universalização?

O desafio imposto pelo Marco Legal

As metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento são ambiciosas:

  • 99% de cobertura de abastecimento de água;
  • 90% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto até 2033.

Para muitas companhias estaduais, atingir esses índices exige volumes de investimento muito superiores à capacidade histórica de geração de caixa.

Diante desse cenário, diversos governos passaram a analisar alternativas para ampliar sua capacidade de investimento e acelerar obras.

O que diferenciou o caso CORSAN?

Diferentemente de algumas modelagens que envolvem concessões regionais ou PPPs específicas, o processo da CORSAN ocorreu por meio da transferência do controle acionário da companhia.

A lógica por trás da operação foi relativamente simples:

  • Atrair capital privado;
  • Ampliar capacidade de investimento;
  • Melhorar eficiência operacional;
  • Acelerar o cumprimento das metas de universalização.

A expectativa era que uma empresa privada com acesso a capital, escala operacional e experiência em expansão de sistemas pudesse acelerar os investimentos necessários nos municípios atendidos.

Quais as vantagens observadas nesse tipo de modelo?

Os defensores desse formato destacam alguns potenciais benefícios:

Maior capacidade de investimento

Operadores privados costumam possuir acesso mais amplo ao mercado financeiro, possibilitando antecipação de investimentos.

Ganhos de eficiência

A adoção de novos processos de gestão, tecnologia e governança pode contribuir para ganhos operacionais.

Maior velocidade de execução

A simplificação de processos internos e a flexibilidade administrativa tendem a acelerar a implantação de projetos.

Foco em metas

A pressão por resultados e indicadores cria um ambiente mais orientado à execução.

Mas o modelo serve para todos os estados?

Essa talvez seja a principal reflexão.

O caso da CORSAN ocorreu em um contexto específico:

  • Companhia com cobertura relevante;
  • Mercado regional estruturado;
  • Ambiente regulatório relativamente consolidado;
  • Capacidade de atrair investidores de grande porte.

Nem todos os estados apresentam as mesmas características.

Em algumas regiões, PPPs ou modelos compartilhados entre companhias estaduais e operadores privados podem apresentar melhor aderência à realidade local.

Por isso, não existe uma solução única para todo o país.

Universalização exige mais do que mudança de controle

Existe uma percepção equivocada de que a simples mudança do controlador garante automaticamente o cumprimento das metas.

Na prática, a universalização depende de diversos fatores:

  • Investimentos consistentes;
  • Regulação eficiente;
  • Segurança jurídica;
  • Planejamento de longo prazo;
  • Gestão operacional;
  • Formação de profissionais qualificados.

A mudança societária pode criar condições favoráveis, mas a execução continua sendo o fator determinante.

O que o setor pode aprender com a experiência da CORSAN?

Independentemente das posições favoráveis ou contrárias ao modelo, o caso oferece aprendizados importantes.

O principal deles é que o setor precisará mobilizar volumes expressivos de capital nos próximos anos.

E isso exigirá criatividade institucional para combinar:

  • Recursos públicos;
  • Investimentos privados;
  • Governança eficiente;
  • Estruturas regulatórias modernas.

O foco deve estar menos na ideologia do modelo e mais na sua capacidade de entregar resultados concretos à população.

O papel da capacitação nesse novo cenário

Uma questão frequentemente esquecida nos debates sobre privatização é a preparação das equipes.

Independentemente do controlador, a operação continuará dependendo de profissionais responsáveis por:

  • Sistemas de abastecimento;
  • Redes de distribuição;
  • Tratamento de esgoto;
  • Gestão de ativos;
  • Operação digital;
  • Controle de perdas.

À medida que novas tecnologias, processos e modelos de gestão são incorporados, cresce também a necessidade de capacitação contínua.

A transformação da infraestrutura exige, simultaneamente, transformação das pessoas.

Conclusão

O processo de privatização da CORSAN representa uma das experiências mais relevantes do saneamento brasileiro recente e certamente continuará sendo analisado por gestores públicos, investidores e reguladores.

Mais do que responder se o modelo deve ou não ser replicado, a discussão central é outra:

Quais mecanismos permitem ampliar investimentos, melhorar eficiência e acelerar a universalização dos serviços?

Em alguns estados, a privatização poderá ser uma alternativa viável.

Em outros, PPPs, concessões regionais ou modelos compartilhados poderão oferecer melhores resultados.

O que parece cada vez mais claro é que a universalização até 2033 exigirá soluções flexíveis, forte capacidade de investimento, boa governança e profissionais preparados para operar um setor em rápida transformação.